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 Devo começar por dizer que foi um excelente
festival e, quem não se deslocou até Grandola com medo da chuva, não
sabe o que perdeu, já que tirando um pouco sábado de manhã, tanto nas
tardes como nas noites durante as actuações das bandas, não choveu.
A organização, como sempre desde que lá vou, foi incansável e
muito competente. Incluindo as bonitas moças que vendiam as senhas de
cerveja e de comida, passando pelo restante pessoal que nos fornecia as
cevejas bem como a comida em troca das referidas senhas.
A título pessoal inchei de orgulho quando na segunda cerveja, um dos
moços se vira para o outro e diz: "Trata bem dele que foi o melhor
cliente o ano passado". Quase que me veio uma lágrima ao olho pelo modo
como foi dito. E digo isto a sério.
Para quem não conheça devo referir que as instalações de campismo
são mais do que suficientes, ficam ao lado do Modelo, por isso qualquer
coisa que seja precisa vai-se comprar, e as instalações sanitárias são
excelentes!
Quanto às bandas em si passo a fazer um pequeno resumo daquilo que
se passou por lá, daquilo que vi e daquilo que achei das bandas.
Primeiro dia:
My Enchantement - Não vi, só
ouvi cá de fora porque não deixavam entrar o pessoal com canecas de
aluminio lá para dentro ficando, assim, a excursão de Coimbra retida.
Entretanto vieram dizer que tinha sido engano e que podiam entrar com
as canecas mas vazias. Agradecemos, mas quase vazias já elas estavam
quando nos disseram isto.
We Are The Damned - Epa, então
mas a Sofia já não faz parte da banda? Eu não sou um grande apreciador
do som, devo confessar, mas gostava da garra dela em palco e do
vozeirão. Não sei se foi por ter ficado triste, ou se ainda falta
rotação do novo vocalista ou o quê mas não gostei muito da prestação da
banda. E curiosamente senti uma falta de à vontade de todos os
elementos entre si estranha. Não sei, pode ter sido só impressão minha.
Criptor Morbious Family - A
surpresa pessoal do festival, já que apesar da banda já ter dois
albuns, nunca tinha ouvido falar deles. São de Grandola, praticam um
death metal industrial, e gostei daquilo que ouvi e da prestação deles em palco. Principalmente do vocalista que em
nada fica a dever às prestações em extase do vocalista de Bizarra.
T hee Orakle - No início da
primeira música o som não me pareceu grande coisa e fiquei assustado,
já que esta banda precisa que o som esteje bom para se ter a percepção
total do enorme potencial dela. O som entretanto ficou melhor e aí pude
mais uma vez comprovar a magnificiência das composições deles. Boa
prestação em palco.
Namek - Já tinha ouvido falar
muito desta banda, nunca os tinha visto nem ouvido musicas deles, fui
ouvir e não gostei. Not my cup of tee. Fui beber cerveja ainda não iam
a meio.
Haemophagia - Quando começaram
a tocar ainda estava na copofonia e no convívio com pessoal que por lá
conheci e com o pessoal que foi comigo, comecei a ouvir e na altura
aquilo pareceu-me barulho. Continuei a beber e a conviver. Não vi nem
prestei atenção à banda.
Bizarra Locomotiva - Como
sempre excelente. Vi-os no Caos, em Coimbra, e agora em Grandola tudo
em menos de um ano. Tal como no Caos, o Fernando Ribeiro subiu ao palco
e cantou com o Sidonio umas quantas músicas. Muito boa actuação, no
geral, musica hipnótica, performance em extase.
No intervalo a seguir a Bizarra Locomotiva estive um pouco a falar
com a Mika, vocalista dos Thee Orakle, e em seguida fui beber aquela
que por muitos é considerada a "ultima cerveja", aquela que não deve
ser bebida por estar estragada.
Durante o concerto de Simbiose,
que não vi, estive a pregar uma seca enorme ao Fernando Ribeiro que
veio cá fora beber uma geladinha. Lembro-me de falar de Baudelaire e de
uma sessão de poesia que ocorreu à uns anos atrás em Montemor-o-Velho
com o Fernando. Provavelmente devo ter dito mais disparates mas não me
lembro. Só sei que Baudelaire rulou nessa noite. As minha desculpas ao
Fernando se ele estiver a ler isto, mas já não era eu a falar, eram
aqueles anões microscópicos que aparecem nalguns licores de cevada
estragados e nos obrigam a abrir e a fechar a boca sem o nosso
consentimento e nos colocam palavras na boca contra nossa vontade.
Sinister - Tocaram???? Porra, não me lembro!
Segundo dia:
Devo começar por dizer que o pessoal de Gwydion é seis estrelas.
Estive ao paleio com eles na sexta à noite, infelizmente não me lembro!
No sábado todos me conheciam e foram sempre impecáveis (yes, it's me,
the Sir). Gente porreira! Agora as bandas.
Decrepidemic, Crushing Sun, Cilice
- Não gostei de nenhuma, muito barulho para o meu gosto e demasiada
linearidade nas musicas. Os alemaes Cilice então achei mesmo mau,
principalmente os vocais.
Gwydion - muito bom, musica
para o bailarico, a nova música que tocaram é mesmo folk puro para
dançar. Foi pena o som não estar melhor e os problemas no inicio com um
cabo do baixo que roubou um pouco de tempo ao pessoal. Talvez tivessem
tido tempo para tocar a outra musica nova, não sei. Mas que pôs a maior
parte da gente a bater o pé, pôs.
Theriomophic - só digo isto, a
Besta está viva, de boa saúde e recomenda-se. Muito bom, a primeira
musica não me pareceu ter o melhor dos sons, nomeadamente as guitarras
não se ouviam, mas as restantes musicas já se ouvia tudo em condições.
....e as novas t-shirts são muito bonitas.
Benighted - Um avião
super-sónico passou por Grandola, destruiu-a e foi-se embora. Uma
descarga e tanto. Curiosidade para o vocalista cantar descalço e para a
penultima musica em que o baixista de repente desaparece do palco e
passado um bocado, com pouca gente a aperceber-se, aparece no meio do
pessoal a tocar. Ainda foi encenada uma mini "Wall of Dea th".
Kronos - não sei se foi de
estar cansado da actuação de Benighted ou o quê mas disse-me pouco o
concerto destes segundos franceses no cartaz do Metal GDL. E é curioso
já que conheço melhor o trabalho de Kronos do que o de Benighted.
Talvez se estivessem em posições invertidas, primeiro Kronos, depois
Benighted, talvez achasse mais piada aos Kronos!
Nervecell - banda que me levou
ao GDL, Conheci-os o ano passado aquando da saida do album e desde logo
achei que era uma banda acima da média. A actuação deles deu-me razão.
Foi a banda do festival, para mim. E a cover de Bolt Thrower que
tocaram muito boa.
Switchtense -
Switch-Fucking-Tense. E não é preciso dizer mais nada. A hora já era
avançada mas arrasaram. Quem não tinha forças arranjou-a. Boa sorte
para a tour europeia.
Pitch-Black - não vi por um
motivo superior: estava a confraternizar (eu e os meus companheiros de
Coimbra) com o pessoal de Nervecell. Devo dizer que fiquei admirado com
um deles (o de descendencia portuguesa), que ao dizer que havia três
grandes festivais, um deles era o Barroselas, ele depois me perguntou
"Is that the SWR?" Eu disse que sim e ele disse-me que conheciam e
gostariam de lá tocar. Por isso manos Veiga e companhia, se quiserem já
têm a primeira banda do próximo ano, eh, eh, e não se iriam arrepender
de os pôr lá a tocar que para alem de serem bons musicos ainda por cima
sao humildes (e não, não estou a inventar).
Legion of The Damned - Um
thrash rasgadito, sempre a abrir, bem tocado, mas já só abria a boca de
sono. Perto do final da actuação, graças a mais uma cerveja - e desta
vez não foi a "ultima", não era das estragadas - ainda arranjei forças
para ir para as grades abanar os pelos da careca.
Em suma, um fim de semana muito bem passado, em boa companhia.
Parabens à organização e as melhoras para o Bicho do entorse no pé!
Para o ano há mais!
Texto por: João "Burzum" Osório
Edit: Referente à prestação de Gwydion afinal não houve problema do cabo do baixo, houve sim um problema de Wireless. Correcção efectuada! |
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