Dias 7 e 8 de Agosto ocorreu o 1º Vagos Open Air
em Calvão, uma localidade perto de Vagos. O local escolhido para o
evento foi dentro do recinto do campo de futebol, em terra batida, do
Grupo Desportivo do Calvão, bem perto da lagoa.
O parque de campismo - se se pode chamar assim ao espaço que
antecedia a entrada para o campo de futebol - era de espaço suficiente
para albergar o pessoal que resolveu por lá pernoitar, embora, não
sendo o terreno completamente a direito, pelo menos tinha muitas
árvores a darem alguma sombra.
A destacar logo no primeiro dia um ponto positivo para a
organização: os horários iriam ser cumpridos à risca. E mesmo antes de
começarem os concertos, segundo ponto positivo: os finos/imperiais a um
euro.
1º dia -
F.E.V.E.R. - Ás 16 horas e 30 minutos em ponto entraram os
F.E.V.E.R. Com apenas 2 minutos de soundcheck este colectivo praticante
um thrash metal industrial abriram as hostes do V.O.A. apesar de ainda
se encontrar pouca gente no recinto. O som não estava grande coisa,
principalmente nos teclados que estavam com problemas. Mesmo assim foi
uma prestação empenhada, tendo mesmo o vocalista na segunda música
descido do palco e vindo cantar junto às grades.
Process of Guilt - Não sei se foi do técnico de som, se do Bruno de
Firstborn ter dado uma mãozinha antes do concerto desta rapaziada
começar, mas no final da noite fiquei com a sensação que eles tiveram o
melhor som do primeiro dia. A prestação de uma das melhores - se não a
melhor - de doom metal nacional da actualidade estiveram muito bem em
palco e tocaram principalmente músicas do ultimo album "Erosion".
Kathaarsys - Este trio vindo de Espanha teve um pouco de azar com o
som já que este estava mau. Mesmo assim deram o seu melhor embora, como
reconheceu o vocalista em palco, as musicas deles em album são muito
longas e, como tinham pouco tempo, tiveram que cortá-las para tocar
mais músicas (como por exemplo na faixa "Darkness" do último album
"Anonymous Ballad"). Digamos que foi um concerto com músicas em formato
edit que se assistiu, embora desse para reconhecer que são bons músicos
(como se costuma dizer, por exemplo, a baixista "toca como o caraças").
Epica - Já com o público mais composto e a aproximar-se a hora do
pôr do Sol, entrou em palco esta banda de symphonic power/gothic metal
holandesa, liderada pela bonita e simpática Simone e pelo guitarrista
Mark Jansen, deram um bom concerto em que faixas como "Menace of
Vanity", "Cry for The Moon", "Quietus", "Solitary Ground", "Blank
Infinity", "Sensorium" "Fools of Damnation" e "Consign to Oblivion" (a
fechar) passearam pelos ouvidos de quem assistia. Ainda se teve direito
pelo meio a uma cover da "Marcha Imperial" do filme "Star Wars". O som
esteve bom.
Katatonia - Alguem deveria ter avisado o vocalista que a t-shirt de
Moonspell que ele trazia se encontrava rota debaixo dos sovacos. Ou
então era pelo facto de ele se encontrar cada vez mais gordo que o
tecido rebentou, não sei. O som, pelo menos de onde me encontrava,
esteve razoável, ligeiramente abaixo da banda anterior. Músicas como
"Soils Song", "Ghost Of The Sun" (bom trabalho de luzes nesta),
"Criminals", "Evidence", "July", "Teargas" (uma das melhores que
tocaram) e "Deadhouse" desfilaram pela voz do vocalista, que me parece
que perdeu um pouco o fulgor - e a voz - em relação a outros idos
concertos. Ainda pensei que tocassem pelo menos uma do album "Brave
Murder Day", mas o passado com voz gutural parece estar definitivamente
enterrado.
The Gathering - A vocalista substituta da lendária Anneke não
comprometeu em nada o passado (e a prestação ao vivo) desta banda que
agora pratica um som mais de rock atmosférico do que de metal, já que o
timbre de voz é similar ao da Anneke. O som voltou a estar melhor que
em Katatonia, e a viagem musical começou com "When Trust Becomes Sound"
e foi-se espraiando até ao encerramento da actuação com temas como "On
Most Surfaces", "A Constant Run", "Leaves", "Saturnine", "Travel", "The
West Pole" entre outras. De referir que algumas músicas apresentam-se
ligeiramente diferentes do que em album, o que é de louvar.
Acabados os concertos mais um ponto positivo para a organização, na
barraca de merchandising colocada no cimo do campo de futebol, após os
concertos assistiu-se a uma after-party para os noctivagos, com o
Nelson da Loud a passar música.
2º dia
O entretenimento começou logo pela hora de almoço quando uma
viatura com caixa aberta na parte de trás enfeitada com umas folhas
enormes que me pareceram uns fetos, parou perto da entrada do recinto
com alguns jovens (talvez da localidade, de alguma escola de música ou
de alguma filarmónica) dentro da carroçaria a tocarem com instrumentos
de sopro e bombo a música "A Mulher Gorda". Tocaram mais duas músicas
de caracter folclórico e depois o carro arrancou ao som da música
"Comer, comer" do Quim Barreiros a sair nos altifalantes. Estava dado o
mote para uma tarde/noite excelentes.
Echidna - Novamente começaram os concertos com pontualidade
britânica: 16:30. Concerto curto mas potente. Logo na primeira música,
o pó levantado pela (ainda) fraca assistência, deu para perceber que a
organização deveria ter molhado o campo antes dos concertos. Temas como
"Purifier", "Ephemera", "Insidious Awakening", "The Final Judgement" e
"Juggernaut" são autenticas bombas ao vivo.
Thee Orakle - O som de inicio não me pareceu assim muito bom mas com o
desenrolar do concerto foi melhorando. E a voz da Mika é que não se
encontrava nas melhores condições em relação a outros concertos vistos
anteriormente. de resto a nível instrumental e do vozeirão do Pedrão
estiveram com uma prestação aceitável, mostrando um à-vontade e uma
alegria genuinas em estarem no Calvão a promoverem o seu album de
estreia e a qualidade da sua música. De salientar que por duas vezes a
vocalista pegou numa máquina fotográfica e tirou fotos ao público. A
maioria dos temas tocados, foi pois, do "Metaphortime", album saído em
Março último.
Dawn of Tears - Estes espanhois definem-se como "Melodic Death Metal"
mas por aquilo que vi e ouvi em palco são mais heavy/symphonic/black
metal. E as pinturas com que subiram ao palco parecem confirmar esta
minha opinião. A primeira música não se ouvia a voz e o som, durante a
actuação, nunca ficou grande coisa. De qualquer modo deram a entender
que têm dois guitarristas muito bons que fazem melodias e riffs
impecáveis. Do pouco que conheço do trabalho deles reconheci a "Echoes
Of Eternal Life", a "The Pit And The Pendulum" e a "Lost Verses".
Cynic - Esta banda não é uma banda fácil de se ver ao vivo,
principalmente num recinto aberto. A mestria técnica dos seus elementos
fica melhor num sítio como a Casa da Cultura ou noutro recinto mais
fechado e acolhedor, onde toda a viagem espacial e musical que estes
senhores fornecem (e forneceram em Vagos) seja devidamente digerida,
absorvida e apreciada. Ainda para mais tendo um baterista como o Sean
Reinert, que é um prodígio com as baquetas nas mãos e os pés nos pedais
dos bombos. Basicamente tocaram os dois albuns quase na integra, visto
terem tempo de sobra para isso (alias, o Paul Masvidal - vocalista -
até me pareceu um pouco precupado com esse facto mesmo perto do final).
De salientar a humildade com que todos os elementos se apresentaram em
palco, principalmente o Paul parecendo estar constantemente a pedir
desculpa por estar a ser tão bem recebido.
Dark Tranquillity - Com esta banda a fasquia deu um salto tremendo
em termos de participação de público e de loucura durante os concertos.
De onde eu estava o som estava razoável e o concerto simplemente
brilhante. "The Treason Wall", "Misery's Crown", "Lost to Apathy", "The
Lesser Faith", "There In", "Lethe", "Inside The Particle Storm", "Focus
Shift" foram músicas que se perfilaram no alinhamento e levaram à
loucura a multidão que assistia. Um dos momentos altos do concerto foi
quando eles tocaram a "Punish My Heaven" do album "The Gallery". Mesmo tendo-se enganado (o Mike disse que já tocavam aquela música há muitos anos e pediu que não contassem a ninguém) e voltado a tocá-la de novo na integra. Foi a apoteose. O
concerto terminou com a faixa "Terminus".
Amon Amarth - Se Dark Tranquillity foi brilhante, Amon Amarth foi
brutal. Se Dark Tranquillity levou o público à loucura, Amon Amarth
levou-o a ter orgasmos. Som irrepreensível, multidão em delírio,
interacção com o público com muitas palavras em português da parte do
Johan. Começou com a "Twilight of the Thunder God" para dar logo o mote
do que se esperava de um concerto destes senhores suecos, com S grande.
Em seguida toda a mitologia nórdica desceu a Vagos e se imiscuiu por
entre todos os mortais presentes aos saltos. "Guardians of Asgaard",
"The Fate of Norns", "Pursuit of Vikings", "Valhalla Awaits Me", "Runes
To My Memory" e, a finalizar depois de um "Bora lá Caralho" dito pelo
Johan num português bastante bom e audível, "Death in Fire" deixaram
claro que eram os Vickings que mandavam ali, naquela noite.
Após os concertos mais uma sessão de after-party na tenda do
merchandising com mais uns clássicos passados pelo DJ de serviço
Nelson.
Pontos negativos a apontar à organização. Casas de banho
insuficientes na zona do campismo, para quem não pudesse entrar no
campo de futebol antes de abrirem portas, e os chuveiros só estarem
abertos até à uma da tarde. Se alguem adormecesse na tenda ficava porco
o resto do dia. Pontos estes a rever para o ano, assim esperemos nós.