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Esta review será um pouco diferente das outras
uma vez que este festival também é um pouco diferente dos outros. Será
feito no discurso directo e pessoal.
Após chegada da comitiva de Coimbra a Sendim ao final da tarde e a
colocação das tendas na área de campismo para o efeito, lá nos
deslocámos até à praça principal onde se situa a igreja matriz,
atravessando para tal efeito a povoação. Aí chegados pudemos constatar que em frente ao café do Passareiro
a animação já ia avançada com alguns elementos dos Uxu-Kalhos, dos
Roncos do Diabo e de alguns espanhois que tocavam e animavam a
população que se amontoava ora nas mesas da esplanada, ora em pé
agarrados a algumas cervejas ou a outros líquidos que escorregassem bem
pela garganta abaixo, cantando ou cantarolando quando reconheciam
algumas das músicas que os músicos tocavam e batendo palmas após o
término das mesmas.
Da nossa parte foi reconfortante rever algumas caras conhecidas de
outros anos - como por exemplo o senhor António, um respeitável senhor
magrito dentro de uns calções relativamente curtos de 59 anos, velho
conhecido destas lides, que distribuia bonomia e alegria por alguns
familiares, amigos e conhecidos, como nós.
É nisto que este festival é diferente dos outros, o carácter familiar em que se baseia e se apresenta.
1ª noite:
Dentro do recinto, à tradicional barraca de Licor Celta (este ano mais
abagaçado e menos doce do que nos outros anos), juntava-se uma barraca
de Hidromel. Para alem disso juntavam-se igualmente algumas barracas de
merchandising: venda de CDs das bandas que iriam actuar no festival e
de outras dentro do espectro folk, e de instrumentos tradicionais que
se encontravam em exposição e para venda.
Lenga-Lenga - primeira banda a abrir o festival. São uma banda
local das terras de Miranda e o repertório é baseado nas músicas
tradicionais mirandesas. Foi um bom começo para inicio do festival, e
perto do fim subiram ao palco dois valores promissores na música de
Sendim, a Vanessa na voz e a Angela no violino, dando um colorido
diferente e mais vivo à musica até aí interpretada pelos Lenga-Lenga.
Maria Salgado - esta senhora espanhola nascida na cidade de
Valladolid conta já com uma carreira a solo (e algumas participações
noutros projectos) substancialmente grande e, foi com alguma
curiosidade que assisti ao concerto dela, já que não sendo uma artista
em que a predominância da estrutura folk mais animada (que empolgasse o
pessoal para a dança) está presente no repertório, mesmo assim
desenrascou-se bastante bem.
A música de inspiração castelhana - e em algumas músicas com um travo
de música cubana como as retiradas do seu ultimo album - conquistaram
grande parte do público, embora o ponto alto tenha sido a sua
interpretação pessoal da "Saia da Carolina" uma música onde muita gente
fez coro.
Mas, como própria ela reconheceu, estavam todos à espera da banda que se seguia: os Hedningarna.

Hedningarna - quatro rapazes em cima de um palco a darem-nos a melhor
música folk que se faz na Suécia. Hurdy-gurdys, moraharpa, violino,
gaita de foles sueca, e percursão debitaram musicas dos albuns "Tra",
"Hippjokk" e "Karelia Visa" (aqueles que reconheci e dos albuns que
conheço). Embora algumas músicas houve em que eles poderiam ter
explodido e não o fizeram. Com certeza faria da actuação deles uma
actuação memorável em Portugal. Assim ficaram simplesmente por uma
actuação muito boa, competentissima e bastante profissional.
De referir que o convivio até às sete e picos da manhã com três dos
elementos de Hedningarna e com o técnico de som deles perto de uma das
tabernas por cima dos bombeiros revelou-se uma experiência muito
interessante, pessoas humildes, bem dispostas e sem vedetismos.
2ª noite:
Este segundo dia teve uma afluência de público muito superior ao primeiro dia.
Korrontzi - por motivos de um jantar longo no restaurante só
presenciei metade da actuação deste grupo da região de Euskadi, País
Basco.
Quando cheguei a animação era grande já que este grupo praticava uma
sonoridade algo alegre baseada na antiga tradição dos "trikitilari" -
interprete do acordeão diatónico basco.
Brigada Victor Jara - a aposta nacional do festival que foi mais do
que ganha. Musica tradicional portuguesa num repertório bem escolhido
animaram e de que maneira o local do concerto. Principalmente por todos
conhecerem as músicas mais tradicionalista como o instrumental
Murinheira (que foi para dançar), a Cana Verde, Senhora do Almurtão, O
Anel que Tu Me Deste, ou o Marião. Pôs toda a gente a mexer.
LLan de Cubel - a segunda banda que me levou ao festival, depois de
Hedningarna, revelou-se algo frouxa. Certo que teve momentos bons e
altos mas a musica folk e de cariz celta desta banda das Astúrias
revelou-se a espaços um pouco monótona. A alegria do violino e da gaita
de foles ajudada pela percursão do Fonsu Mielgo era quebrada logo por
duas ou três músicas de caracter mais intimista interpretadas por
flauta e pelo violão do Pereda (ou era pelo adiantado da hora e do frio
ou pela cansaço provocado pela Brigada, o que é certo é que iam eles
tocando e, a espaços, ia o público debandando). Mesmo assim ainda
destaco quatro marchas interligadas (uma religiosa, uma militar, duas
festivas) e o tema Cabraliega que deve ser dos mais conhecidos em
Espanha já que ouvi muitos espanhois à minha volta a cantá-la.
Após findo o concerto ainda deu para dar um salto à Taberna dos Celtas
onde o grupo Trasga, sob a batuta do Célio Pires, um dos mais famosos
construtores e eximio tocador de gaita de foles, iam animando o pessoal
àquelas horas da madrugada, a quem quisesse comer como ceia um caldinho
verde ou beber mais umas para o caminho.
Para o ano há mais, esperemos que desta feita com Chieftains!
Texto por: João "Burzum" Osório
Fotos por: João "Burzum" Osório
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